28 maio 2010

Dinheiro Contribuintes

"Não devemos acreditar na maioria que diz que apenas as pessoas livres podem ser educadas, mas sim acreditar nos filósofos que dizem que só as pessoas educadas são livres"

O dinheiro dos contribuintes também serve (e bem) para isto:

Biblioteca Móvel de Proença-a-Nova


27 maio 2010

Livro - E se eu gostasse muito de morrer

Título : E Se Eu Gostasse Muito De Morrer
Autor : Rui Cardoso Martins
Editora : Dom Quixote
Minha apreciação : 3.5/5

E se o suicídio fizesse parte do quotidiano, fosse habitual quase normal.
Histórias de vida que às vezes terminam cedo. Um retrato do interior alentejano com alguns momentos de humor, apesar do tema (suicídio).






Aviso: Esta é apenas e só a minha interpretação quem desejar ter outra terá de ler o livro

21 maio 2010

(In)justiça inspira arte - Projecto 59 €

Quando se é multado por "amarrar" uma bicicleta a um poste. 
O resultado pode ser 
  1. Pagar a multa
  2. Amarrar todo o tipo de objectos a postes e bancos como protesto
A opção 2 foi a considerada por um sr., que decidiu "amarrar" todo o tipo de objectos a postes e bancos como protesto à extrema diligência da polícia de Barcelona, quando, se for como por cá, um carro é Senhor de inúmeros passeios uma bicicleta não deve fazer diferença.






12 maio 2010

Calmo II

Depois de ler o texto, Fique calmo: algo sobre tudo o que você já aprendeu na escola ,só me recordava desta música dos (GRANDES)  Radiohead que termina com a seguinte frase

"a pig in a cage on antibiotics." - "um porco em cativeiro sob o efeito de antibióticos."


FITTER, HAPPIER

Fitter, happier, more productive,
comfortable,
not drinking too much, 
regular exercise at the gym
(3 days a week),
getting on better
with your associate employee contemporaries,
at ease,
eating well 
(no more microwave dinners and saturated fats), 
a patient better driver,
a safer car
(baby smiling in back seat),
sleeping well
no bad dreams, 
no paranoia, 
careful to all animals
(never washing spiders down the plughole), 
keep in contact with old friends
(enjoy a drink now and then), 
will frequently check credit at  bank, 
favors for favors,
fond but not in love, 
charity standing orders, 
on Sundays ring road supermarket 
(no killing moths or putting boiling water on the ants),
car wash (also on Sundays),
no longer afraid of the dark or midday shadows 
nothing so ridiculously teenage and desperate,
nothing so childish
at a better pace, slower and more calculated,
no chance of escape,
now self-employed, 
concerned (but powerless),
an empowered and informed member of society
(pragmatism not idealism),
will not cry in public,
less chance of illness,
tires that grip in the wet 
(shot of baby strapped in back seat), 
a good memory, 
still cries at a good film, 
still kisses with saliva, 
no longer empty and frantic like a cat tied to a stick,
that's driven into frozen winter shit 
(the ability to laugh at weakness), 
calm,
fitter,
healthier and more productive


a pig in a cage
on antibiotics.




EM MELHOR FORMA, MAIS FELIZ


Em melhor forma, mais feliz, produtivo
e confortável,
sem exagerar na bebida,
idas regulares ao ginásio
(3 vezes por semana),
atinando mais
com os colegas de serviço,
na boa,
alimentando-se bem
(nada de comida de micro-ondas e polinsaturados),
um condutor mais sério e responsável,
um carro mais seguro
(um puto sorridente no banco de trás),
dormindo bem
sem sonhos maus,
sem paranóia,
amigo dos animais
(nada de mandar aranhas pela retrete),
falando com o pessoal
(um copo de vez em quando),
verifica regularmente os extractos bancários,
amigo do seu amigo,
embeiçado mas não apaixonado,
movido pela caridade,
Domingos de manhã no supermercado
(nada de matar traças nem esmagar formigas),
lavagem do carro (também aos Domingos),
agora sem medo do escuro ou das sombras
nada de tão ridículo, adolescente ou desesperado,
nada de criancices,
num ritmo melhor, mais lento e calculado,
sem hipótese de fuga,
finalmente por conta própria,
preocupado (mas impotente),
um membro da sociedade informado e capaz
(pragmatismo em vez de idealismo),
nada de chorar em público,
menos achacado às doenças,
pneus aderentes em piso molhado
(imagem do puto no banco de trás),
uma boa memória,
ainda se comove com um bom filme,
ainda dá beijos molhados,
não mais vazio e frenético como um pássaro numa gaiola
ao vento, ao frio e à chuva
(capaz de se rir de si mesmo),
calmo,
em melhor forma,
mais saudável e produtivo

um porco em cativeiro
sob o efeito de antibióticos.

(http://web.letras.up.pt/primeiraprova/fitter.htm)

07 maio 2010

Calmo

"Fique calmo: algo sobre tudo o que você já aprendeu na escola

by Alessandro Martins

(publicado originalmente no Cracatoa Simplesmente Sumiu)

Fique calmo.

Você tem cinco anos de idade e só queremos que você sente nesta cadeira desconfortável por 5 horas.

Não começaremos por tanto tempo. No início há mais intervalos e períodos lúdicos. Vamos aumentando aos poucos.

Portanto, fique calmo.

Amanhã você também sentará nesta cadeira desconfortável por mais algum tempo.

De segunda a sexta e, às vezes, no sábado também. Embora por menos tempo.

E quando finalmente aprender a sentar nesta cadeira desconfortável por cinco horas, lá na frente estará um sujeito que falará durante as cinco horas sobre assuntos que, possivelmente, não interessam a você.

Não é culpa dele. Talvez nem ele saiba mais o que está fazendo ali.

Pois ele, antes de você, já teve a fase em que sentou-se, durante anos, em uma cadeira desconfortável durante cinco horas, ouvindo alguém falar sobre coisas que não lhe interessavam.

E, depois de passar por um processo desses, repetidamente, é bem possível que ele já não ligue mais para isso. Note como ele fala calmamente.

Assim, fique calmo.

Você não está aprendendo Matemática. Não está aprendendo Língua Portuguesa. Não está aprendendo Ciências. Isso é só a fachada.

O currículo está para o verdadeiro ensino como o restaurante sem movimento está para a lavagem de dinheiro de algum negócio ilícito. É só a fachada.

O que você aprende de verdade é que você deve suportar situações insuportáveis por períodos longos do seu dia, repetidamente ao longo de anos de sua vida.

A cadeira desconfortável em que você se senta por milhões de minutos está moldando sua bunda para o que bilhões de adultos costumam chamar de cotidiano.

Esse aprendizado tornará mais fácil e cômodo aceitar aquilo que se espera de você daqui a alguns anos.

E o cara lá na frente é uma espécie de boneco de treinamento. A exemplo dos simuladores, ele não pode feri-lo de verdade. Mas está condicionando você para a coisa mais importante nesta vida:

RESPEITAR A AUTORIDADE. A AUTORIDADE SÓ FALA A VERDADE.

E, pode acreditar, você terá oportunidade de respeitá-la e também de ser autoridade, às vezes simultaneamente, às vezes como boneco de treinamento. Ser, nessa máquina, uma engrenagem. Que é movida mas que move também

Sem respeito à autoridade, o mundo como o conhecemos não funciona. E todo o mundo sabe como o mundo, tal e qual o conhecemos, é ótimo. Todos o adoram. Ninguém quer engrenagens que se movam em algum sentido inesperado.

Então. Fique calmo. E sentado.

Outra coisa importante: errar é horrível.

Esperamos que você só acerte nesta vida.

Sabemos que ter medo de errar prejudica a criatividade, pois a criatividade presume eventuais erros.

Mas também ninguém espera que todo o mundo seja criativo. Afinal, o que seria da autoridade se todo o mundo começasse a ser criativo e tivesse liberdade para errar sem medo?

Assim, mais fachada: parece bonito ensinar alguém a só acertar, mas de verdade o que você tem que aprender mesmo é o medo de errar.

O mercado não admite erros.

Não havíamos tocado neste assunto, ainda.

O mercado.

Mas saiba que o mercado é a cola que une a sua bunda a essa cadeira desconfortável. Afinal, você precisa, um dia, ser capaz de ser um empregado e fazer parte do mercado.

É por isso que você está sentado. Sentado e calmo.

Fique calmo.

E, depois de anos de cadeira, ouvindo alguém falar de coisas que não lhe interessam em absoluto, você passará por uma coisa chamada vestibular.

O vestibular verifica se você ouviu e absorveu o suficiente de coisas desinteressantes e se, assim, será capaz de, mais tarde, vender seu tempo para projetos que também não lhe interessam necessariamente. E, assim, ser um empregado exemplar.

Isso tudo depende de:

  • sua capacidade de ficar sentado em uma cadeira desconfortável, que indica sua predisposição a suportar situações insuportáveis
  • sua capacidade de não questionar a autoridade, tão firmemente desenvolvida e fixada ao longo de anos que você nem a percebe
  • sua capacidade de se interessar por assuntos que não o interessam realmente, que é uma espécie de auto-engano que as grandes empresas costumam chamar hoje de proatividade e de sinergia

Se você tiver absorvido tudo isso, certamente passará no vestibular. Muito embora – e mais uma vez entramos no tema da fachada – o vestibular pareça medir coisas como Matemática, Língua Portuguesa e Ciências.

Podemos concluir, grosso modo, que quanto mais concorrida a vaga de um curso, mais ela exige das três capacidades acima arroladas.

Matemática, Língua Portuguesa e Ciências são índices apenas. Na verdade, estão para o verdadeiro ensino como o hambúrguer está para o cadáver do boi.

Ainda assim, FIQUE CALMO.

Sim. Finalmente, você entrou em uma faculdade.

PARABÉNS!

Mais alguns anos de cadeira desconfortável. Só para garantir.

Mas agora você não precisa ficar sentado nela durante tanto tempo. Não é preciso. Seu espírito já se dobrou. Possivelmente, ele está sentado neste momento, suportando alguma situação insuportável, mesmo quando você está em pé.

Bem calmo.

É bem provável que essa faculdade em que você entrou tenha como slogan algo semelhante a "preparamos para o mercado" com a foto de um modelo sorridente abaixo.

Não confunda: ele não é um estudante da instituição, mas os dentes daquele sorriso são o mercado.

Para as fachadas mais humanas, o slogan é algo como "preparamos para a vida". Que, considerando que vida e mercado hoje são quase sinônimos, dá na mesma.

"Preparamos cidadãos" – e seus equivalentes – quer dizer "ensinamos você a usar o Procon". Porque, no mercado, o bom cidadão é o consumidor. Talvez a única vez que você tenha questionado o sujeito que fala coisas desinteressantes lá na frente tenha sido dizendo algo como: "Ei, eu pago o seu salário! Sou um consumidor!". Parabéns, você aprende rápido.

Pois se você é incapaz de consumir, não é um cidadão de primeira classe. Talvez nem seja um cidadão.

E o mercado pede que você seja um cidadão. E o máximo a que o seu questionamento será capaz de chegar irá até estas três letrinhas: SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor).

Se as empresas quisessem atender pessoas, colocariam gente de verdade atendendo aos telefonemas. E não gravações ou outras pessoas lendo scripts e preparadas pelo mercado.

Por isso, o mercado – de olho no futuro – cola sua bunda à cadeira desconfortável durante horas.

Para aprender a suportar situações insuportáveis, respeitar a autoridade e para nivelar sua criatividade tão aceitavelmente quanto a volúpia de um gato castrado.

Para que assim, um dia, você possa contribuir e, só então, consumir: realimentando o processo.

Eu sei que, aos cinco anos de idade, é difícil entender o que está acontecendo.

Mas peço que você, por alguns instantes e nos seguintes, FIQUE CALMO.

Em alguns anos você vai aceitar tudo perfeitamente."

http://livroseafins.com/fique-calmo-algo-sobre-tudo-o-que-voce-ja-aprendeu-na-escola/